Maria Luiza da Silva Araújo Lopes, conhecida como “Malu Navalha”, foi capturada no domingo (13) em Lagoa da Confusão, no Tocantins, após três dias foragida. Ela tinha um mandado de prisão preventiva em aberto e é apontada como integrante violenta de uma quadrilha de agiotagem que ameaçava de morte devedores que atrasassem o pagamento de empréstimos clandestinos. A ação foi executada pela Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado de Paraíso do Tocantins.
Em áudios obtidos pela polícia, Malu Navalha xinga os devedores e chega a afirmar que atiraria no rosto de uma mulher que não quitou as prestações. Em outra gravação, a suspeita relata que ficou acampada em frente à residência de uma credora até receber o valor devido, anunciando que montaria uma barraca na porta do imóvel para impedir qualquer tentativa de fuga.
A prisão faz parte de uma operação que investiga uma extensa rede de agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro com ramificações no Distrito Federal, em Goiás e no Tocantins. Segundo as apurações, o grupo utilizava contas bancárias de laranjas e empresas de fachada para disfarçar a origem ilícita dos recursos, que eram repassados a casas de câmbio e até a plataformas de cassino online. Além das cobranças violentas, a quadrilha também forjava documentos para ocultar bens móveis e imóveis adquiridos com o dinheiro dos empréstimos ilegais.
O aprofundamento do caso teve início após a morte de um feirante de 68 anos, em março de 2025. Familiares relataram que o comerciante sofria forte pressão financeira e ameaças contínuas dos agiotas. Mesmo depois do falecimento, os suspeitos continuaram a exigir o pagamento da dívida da filha da vítima, o que ampliou o número de denúncias contra o grupo.

